terça-feira, 15 de março de 2011

Doces e traições

(Gênero: Crônica)

Por Luciene Almeida
Algumas mulheres têm um dom natural para saber se estão sendo traídas. Seja abusando do sexto sentido ou observando os sinais deixados na cena do crime, uma coisa é certa: cedo ou tarde elas descobrem a infame traição.
Mulheres metidas a detetives são as mais perigosas e desconfio que elas estejam se proliferando numa velocidade assustadora. As mulheres detetives são mesmo uma ameaça para a espécie do sexo masculino. E olha que quem está dizendo isso é uma mulher...
O primeiro passo de uma mulher detetive no estágio inicial de sua investigação é observar o suspeito (neste caso, seu marido, namorado, amante ou qualquer outra denominação predominante deste século), por uma perspectiva bastante alternativa. Ou seja, ela nunca vai acusá-lo diretamente, mas irá utilizar-se de artifícios “nada” comuns do dia a dia para fazê-lo entregar-se voluntariamente, como foi o caso de Ana Amélia.
Ana Amélia está casada há exatamente seis meses e, desde então, divide os mesmos talheres e a mesma toalha de banho com seu homem. Recentemente desempregado, o cara tem andado muito estranho e ela suspeita que esteja sendo a mais fresca vítima de uma traição.
Mesmo sem participar de terreiros de umbanda ou coisas do tipo, a mulher detetive encarnou nela. Meticulosa e detalhista, Ana Amélia passou a observar o comportamento de seu cônjuge e a identificar ligações perdidas no celular dele.
Uma tal de Zefa tinha ligado sete vezes! Não eram duas, nem três mas SETE vezes. Para ela, sete era um número cabalístico, então, algo muito sério estava acontecendo ou iria acontecer.
Decidiu que extrairia a verdade e não passaria daquela noite. Ao chegar do trabalho jogou a bolsa no sofá e rapidamente iniciou a conversa.
- Oi, tudo bem? – perguntou observando de canto de olho o baleiro que estava fora do lugar.
- Tudo bem – respondeu ele sem perceber nada de anormal nela.
- Você chupou bala hoje? – ela mandou um daqueles olhares intimidadores.
- Na verdade não. Por quê? – ele passou por ela e foi pegar um copo de água.
- Estranho... Porque percebi que o baleiro está fora do lugar – disse persuasiva.
- Deve ser impressão sua – ele deu meia volta e sentou-se folgadamente no sofá.
Ela insistiu:
- Tem certeza de que você não chupou bala hoje?
- Tenho. Se eu tivesse chupado bala hoje saberia disso! – ele irritou-se com a conversa.
- Tudo bem, não vamos discutir por causa de umas balas. Afinal, o que são algumas balas chupadas – ela fingiu conformar-se com a resposta, mas no instante seguinte mudou de ideia – E a Zefa te ligou hoje?
- Quem!? – ele continuou sem entender.
- Ah! Claro você não deve se lembrar da Zefa não é mesmo?! Se não consegue se lembrar das balas que chupou...
Nesse momento da conversa, o homem já estava bastante irritado.
- Escuta aqui! Vamos esclarecer as coisas. Ninguém chupou bala nessa casa hoje! E para o seu governo, a Zefa tem diabetes!
- Ah... Então você confessa que trouxe alguém nesta casa hoje enquanto eu trabalhava?!
- Não!
Ele ainda parecia seguro da situação.
“Cínico”, ela pensou antes de respirar fundo.
- Muito bem, admita de uma vez que está me traindo e que este baleiro fora do lugar é o indício mais forte de toda a sua safadeza?!
- Não –  ele colocou as mãos atrás da cabeça relaxando o corpo.
- Mas... Você confessou que a Zefa é diabética, logo, você conhece essa mulher!
- Sim, confessei, mas você se esqueceu de um pequeno detalhe...
Ela ficou realmente curiosa com o desenrolar da conversa.
- Ah é? E qual seria o detalhe?
- A Zefa é minha irmã. Você saberia disso se tivesse prestado atenção quando disse que era baiano e tinha nove irmãos!
Ela totalmente confusa questionou:
- Você é baiano? Pensei que fosse sergipano... Ah, tanto faz! Mas e quanto ao baleiro? – retomou ela - Quanto a isso você não tem argumentos!
Ele totalmente surtado respondeu:
- Eu confesso, eu chupei duas ou três balas! Qual o problema?!
- O problema meu bem é que você acaba de se entregar! No baleiro havia apenas três balas de menta e apenas uma bala de morango!
- Tá, e daí?
- E daí que as balas de menta continuam no baleiro e a de morango não! Logo, a pessoa que esteve na casa com você chupou a bala de morango e ainda tirou o baleiro do lugar!
Agora ele estava perdido!
- Eu posso ter chupado a de morango... não posso? – ele gaguejou.
- Não, não pode porque você detesta morango! E quer saber do que mais? Pode juntar suas coisas que está tudo acabado entre nós.
E assim, de maneira muito precisa, Ana Amélia descobriu uma legítima traição. Um homem aparentemente inofensivo revelou-se um verdadeiro crápula ao admitir indiretamente que sua amante chupou a prova do crime: uma bala de morango!
Que esta história sirva de lição aos homens que pensam que podem passar ilesos a uma mulher detetive.
E antes de encerrar o texto, é bom lembrar que, em tempos de traição, é sempre muito útil ter um baleiro em casa. Ele pode revelar, abalar ou determinar o rumo seguro de algumas relações.

10 comentários:

Ana Matos disse...

Adorei o texto é criativo! Dei bastante risadas.
Sou fã da autora, já li algumas obras...e sei do seu potencial e a facilidade com a escrita.
Um enorme beijo e não deixe de escrever...por que não deixarei de ler!!!!

werley disse...

Sou apenas uma pessoa que gosto ler diversos assuntos, mas, o que me chama a atenção em um texo é a forma como ele é escrito e principalmente quando me faz rir!!!!!

valdislei disse...

gostei muito,vou evitar baleiros pro resto de minha vida!!rsrsrrs

Edvania disse...

Oi prima,
AMEI seu blog,tá de parabéns mesmo.não é atoa que vc é jornalista né?o texto é divino, e mulher desconfiada é a pior coisa para um homem...Virei blogueira agora kkkk
beijão

Roselidia disse...

Achei o máximo!!! Me diverti bastante com essas histórias!! Espero que continuem.

Hiarlas disse...

Lú!!!
Que orgulho de vc menina! Rs...
Ri mto com seu texto, tô doida pra que esse espirito detetive encarne em mim : )
bjo

Kelly disse...

Adorei as duas historias!!!!!

Mais tenho uma leve impressão de conhecer a personagem principal vivida nestes dramas?!
Enfim...espero que voce continue com esta fonte inspiradora, para que possamos acompanhar estas historias que mais se parece com capitulos de uma novela mexicana.
Parabéns!
bjos

David disse...

Revelação da crônica brasileira, Luciene capta de forma muito eficiente e divertida situações absurdamente reais do dia a dia.

Luciene Almeida disse...

Mensagem de Mariana Juvenal Santos enviada para meu e-mail pessoal.

"Ah!!!!!! Lú eu sou suspeita para falar né......eu adoro a linguagem que você usa para se comunicar com seus caros leitores... agora falando do texto....eu tambem gostei muito pois de uma forma bem humorada você conseguiu:

1º Quesito : Linguagem --> Nota 10 (super acessivel nehuma dificuldade no vocabulario)
2º Quesito: Tema --> nota 10 (super Atual)
3º Quesito: conteudo -->nota 10 ( Relatar algo que não é nada engraçado para quem vive... mas de uma maneira bem descontraida)
4º Quesito: Influência --> Nota 10 (Fazer com que o leitor que se identifique com o caso analise as proprias atitudes.)
5º Quesito: Prender atenção --> nota 10
beijussssssssss e parabens sempre!!!!!!!!!!!!!! quero mais textos no seu blog"........

Mariana Santos
Sonda Software
Analista Funcional

Luciene Almeida disse...

Mensagem de Jaqueline no orkut:

"Oii Lu,

Nossa bem bacana teu blog!!

Pode deiixar vamos "bombar" de acessos!!rssss
Concerteza vou divulgar!