terça-feira, 24 de maio de 2011

Balanço Geral

Política: o mal necessário
Recebi convite de um amigo, que é estudante de Ciências Sociais, para participar de uma passeata na Av. Paulista. Trata-se de um movimento a favor da liberdade de expressão.
O assunto despertou interesse e iniciamos uma discussão. Clique aqui.



Carolina Maria de Jesus
Dica de Leitura
Comecei a ler “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, da escritora Carolina Maria de Jesus.

Não consigo encontrar palavras para descrever a força que o texto dessa mulher tem. Quanto mais leio, mais me emociono. 

Selecionei alguns trechos. Clique aqui






segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mês de Maio

Obra do artista plástico, Vik Muniz
Lixo extraordinário de Embu
Quer saber o que Vik Muniz tem em comum com a cidade de Embu (agora das Artes)? 
Clique aqui!



 





Bill dá dicas de etiqueta durante o sono

Neste novo episódio, o   pequeno Bill faz uma demonstração impressionante
de como é possível dormir
em grande estilo.
E mais! Agora ele quer ser jogador de basquete!





Para quem gosta de poesia, 
a página Melancolia está atualizada.







Delícia de pastel!
 (Nova!)
Conheça a história de Jacira e Sophia. 
Duas mulheres sem nada em comum que
se encontram no "Pastel-da-Boca"
na favela de Paraisópolis. Clique aqui



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Novidades!

Ademiro Alves: simpatia e humildade
Você ja ouviu falar do Sacolinha?
Trata-se de um jovem de apenas 27 anos, que descobriu o gosto pela literatura vivendo na periferia de Itaquera - SP. Hoje é escritor de vários livros, entre eles, "Graduado em Marginalidade". 
Confira entrevista!






Agora seu filho vai gostar de ler!
A Coleção Mundinho é excelente para leitores que estão na fase inicial da alfabetização.
Leia entrevista com a autora! Clique aqui!
Diário do Gato
Você pensa que só sua vida é interessante?
Conheça agora a vida de Bill, um filhote de gato,

que luta para se destacar no submundo da literatura marginal.
Clique aqui!

Me publica aí!
Tenho alguns livros voltados ao público infantil, infanto-juvenil e adulto que desejo publicar.
Conheça alguns dos meus projetos.
Clique aqui!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Presente de grego
Luciene Almeida

(Para aqueles que às vezes passam dos limites...)
Se você tem um amigo que em breve fará aniversário e não sabe exatamente qual presente comprar, faça um favor pra essa pessoa querida: dê um livro pra ela.
Pensando em facilitar a sua vida, elaborei algumas dicas que você poderá aceitar (ou não), observando em primeiro lugar, o perfil do seu amigo antes de sair por aí presenteando o indivíduo.
Amigo antissocial: Este tipo de amigo é realmente difícil de agradar. Mas considere-se um vencedor, pois você conseguiu algo extraordinário: estabelecer linguagem verbal. Minha sugestão para este caso é o livro: “Porco espinho”.
Amigo sério: Se você tem um amigo que é daqueles que mesmo depois de ouvir a piada mais engraçada do mundo continua fazendo aquela cara de “ué, qual é a graça?”, dê de presente com urgência: Ary Toledo – Na base do riso explícito”.
Amigo fútil: Sabe aquele amigo que não faz diferença nenhuma na sua vida, mas por algum motivo te considera pra caramba? Então...  Você também não pode ignorá-lo, vai saber o dia de amanhã... Portanto, faça um agrado com o livro: “F(utilidades) – Mistérios do dia a dia explicados”.
Amigo dramático: Por incrível que pareça tem aquele amigo que adora ficar imaginando como será o dia em que ele morrerá. Ele passa horas e horas em frente ao espelho chorando e pensando: Será que alguém sentirá minha falta?; Será que muitas pessoas irão ao meu velório?... E minha ex-namorada... será que aquela maldita ficará com remorso por ter me trocado pelo Godoy? Enfim... Pra esse idiota, você não pode deixar de comprar: “O elogio da loucura”.
Amigo filósofo: Se você tem um amigo que a cada dez frases proferidas por ele, pelo menos oito são menções a líderes políticos, filósofos, astrônomos e cientistas, compre sem medo de errar “Quando Nietzsche chorou”. Mas aguente firme e nem pense em reclamar depois...
Amigo infantil: Tem cara que realmente não se dá conta que a idade chegou, mas nem por isso você deve se esquecer dos anos e anos que passaram juntos assistindo “Tom & Jerry”, certo? Haja com o coração e dê presente o livro super-gracinha “Diário de um Gato Órfão”, da autora Luciene Almeida. O único problema é que ainda não foi publicado...Pequeno detalhe.
Amigo engraçadinho: Pra esse cara que dorme todo dia com o Bozo e acorda rindo a toa sem nenhum motivo aparente dê para ele o livro: “Mulheres de Cabul”. Ele vai perceber que a vida nem sempre é tão bela e engraçada quanto parece.
Amigo pobre: Este é um caso delicado, mas tem jeito! Tem um livro que talvez possa ajudar, entretanto, se seu amigo for solteiro precisará arrumar uma namorada. Pensei em “Casais inteligentes enriquecem juntos”. Só que tem outro pequeno problema: os dois têm que ser inteligentes também...
Amigo gago: É raro, mas pode acontecer. Contudo, não se preocupe. Recentemente foi lançado um livro bem legal. Trata-se de “O Discurso do Rei”. Se ele for tão lento para ler quanto é para falar, você poderá evitar esse constrangimento dando de presente o DVD no lugar do livro.
Eu transito entre "infantil-engraçadinho-pobre" e você? 
Depois dá uma olhadinha na lista dos livros mais vendidos em 2011, segundo a Revista Veja.

Visite também as páginas:
Crônicas
Diário do Gato
Melancolia

domingo, 3 de abril de 2011

Melancolia

Pessoal,
Inspirada em algumas situações vivenciadas no meu dia a dia escrevi um texto disponível na página Melancolia
Informações complementares:
Em março de 1993 no Sudão, o fotógrafo branco
 Kevin Carter registra o momento em que uma menina africana se arrasta até um campo de alimentação da ONU em busca de alimento. Ali, um urubu está apenas esperando o momento em que a menina morrerá para que ele satisfaça sua fome. A imagem é forte, mas devemos refletir sobre ela pelo menos por um instante... 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Diário do Gato

Gato procura namorada desesperadamente Clique aqui
Leia também as
crônicas malucas escritas pela minha dona.

Tá esperando o quê? Desce a  barra de rolagem,  né!!!

terça-feira, 22 de março de 2011

Padeiro surta ao mudar de profissão

(Gênero: Crônica)
Por Luciene Almeida

Desde muito cedo, Rodney Boaventura sabia que tinha um propósito em sua vida: ser padeiro. Aos seis anos de idade fez sua primeira réplica de um legítimo pãozinho francês, na aula de artes conquistando todos seus coleguinhas do jardim de infância. Quando completou 10 anos ao invés de pedir uma bicicleta como as crianças normais de sua faixa etária, surpreendeu os pais pedindo uma batedeira planetária. Aos 15 anos, seu talento para a conquista era algo peculiar e nenhuma menina resistia ao seu jargão: “Vem cá, meu pãozinho-de-ló”. Assim, amassando um pão aqui, fazendo uma empada ali, ele cresceu, ganhou notoriedade e adquiriu experiência considerável no mundo competitivo das roscas, bengalas e afins.

Apesar de parecer bastante convicto quanto a sua profissão, ao chegar na casa dos 18, teve sua primeira crise existencial. E foi nesse momento que decidiu que gostaria de vivenciar novas experiências. Convidado a trabalhar em uma lanchonete de primeira linha, em um shopping de São Paulo - desses que para comprar um hambúrguer você deixa o salário de um mês inteiro - Rodney ficou entusiasmadíssimo com esse desafio. Contudo, o que ele não imaginava é que ao assumir o novo emprego, sua vida social estaria seriamente comprometida.

Logo no primeiro dia, o gerente da lanchonete fez questão de detalhar qual era a função de cada funcionário:

- Aqui é tudo muito simples, meu rapaz. Os garçons servem as mesas. O chapeiro faz os lanches e você checa os pedidos. Alguma dúvida?

- Apenas uma – disse ele.

- Pois não, qual é? – quis saber o gerente.

- Qual é exatamente o nome da minha função?

- Boqueteiro – respondeu seriamente.

Um silêncio mortal se estabeleceu entre eles e a única coisa na qual Rodney conseguia pensar era: “Será que isso vai sujar minha carteira?”.

Sendo ele um rapaz de família, recatado e muito religioso, levaria mesmo algum tempo até se acostumar com a nova nomenclatura da profissão. Afinal, de padeiro para boqueteiro havia uma mudança minimamente considerável. Logo, o novo emprego deveria realmente valer a pena, caso contrário, nada justificaria o desgosto que causaria à sua mãe, quando a pobre descobrisse o que ele andava fazendo por aí.

Vítima das circunstâncias, Rodney Boaventura achou que a princípio devia manter sigilo sobre sua atual ocupação. Assim, sempre que avistava algum conhecido da época da escola ou algum vizinho curioso procurava desviar sua rota, dando voltas olímpicas no bairro para fugir das temidas perguntas pessoais.

Dia desses ao ir para o trabalho avistou dona Jurema, amiga de sua mãe saindo do mercado.

Ele, que geralmente gasta cinco minutos de sua casa até o ponto do ônibus, nesse dia levou cerca de meia hora para conseguir driblar a velha fofoqueira. E quando finalmente pensou que havia conseguido enganá-la teve uma surpresa, que ele prefere definir como a verdadeira “visão do inferno”: dona Jurema parada em sua frente com o cabelo arrepiado, segurando uma sacola cheia de papel higiênico e desinfetante.

- Rodney, quanto tempo não te vejo, menino! Sua mãe me contou que está de emprego novo.

- É...  – ele tentou despistar – Nossa meu ônibus está vindo!

- Caaaalma menino... Não é seu ônibus não. Você não pega todo dia o 574? Então, esse aí é o 653. Pode ficar sossegado. Me conta... O que você faz no seu novo emprego?

- Nada de especial, eu ainda estou no período de experiência.

- Sei... Mas o que você faz lá? Me disseram que você está trabalhando em uma fábrica de bonecas? É isso mesmo? Me conta o que você faz? – ela não parava de repetir.

Sem ter tempo para pensar em nada mais absurdo do que aquilo que tinha acabado de ouvir achou melhor confirmar.

- É. É isso mesmo! Faço bonecas!

- Nossa que coisa, não é mesmo?! Você sempre foi padeiro e agora arruma um emprego tão... diferente.

- Pois é... – disse ele tentando parecer natural.

- E o salário, compensa?

- Compensa sim! Eu ganho muito bem para fazer o que faço. Agora, se me der licença, vou indo porque estou atrasadíssimo.

Rodney deixou a velha falando sozinha e pegou o primeiro ônibus que passou. Mas, como desgraça pouca é bobagem, fatidicamente neste ônibus estava Chicão, filho da dona Jurema.

- Diz aí, Boaventura! O que tem feito da vida?!

- Tô trabalhando em uma lanchonete – respondeu desanimado.

- Entendi, mais o que exatamente você faz lá?

- Ah, eu trabalho numa área específica checando os pedidos dos clientes – ele não quis detalhar muito.

- Eu sei, eu sei. Você é boqueteiro – respondeu Chicão com certa familiaridade ao termo.

- É, isso mesmo! Como você sabe? – surpreendeu-se.

- Eu já trabalhei de boqueteiro em uma lanchonete também. Mas, no meu caso, antes de ser promovido a boqueteiro tive que trabalhar em vários setores da loja até ser promovido.

Aliviado por saber que pelo menos alguém conhecia bem a definição de seu cargo, Rodney sentiu-se confortável e pela primeira vez quis falar a respeito da profissão. Enquanto isso, os passageiros do ônibus trocavam olhares de condenação e, ele, totalmente empolgado com o momento queria falar mais.

- Então, eu não precisei passar por todo este processo. Já entrei direto como boqueteiro. Acho que é porque já tenho experiência anterior como padeiro, sei lá.

- Pode ser... Parabéns cara, você merece!

Alguns minutos depois, ambos se despediram e Rodney começou a pensar que realmente não tinha nada de mais naquele nome. Talvez fosse apenas impressão dele. Então, dá próxima vez que alguém lhe perguntasse sobre seu novo emprego responderia sem fazer rodeios. Mas...Nem foi preciso esperar muito. Dois dias depois de ter se encontrado com seus inoportunos vizinhos, sua própria mãe veio lhe questionar sobre os comentários que corriam pelo bairro.

Rodney tentou explicar a ela o que um boqueteiro faz de verdade; que aquela era uma profissão totalmente legalizada e que não havia nada de mal em ser boqueteiro; que o salário era realmente compensador. Enfim, tentou explicar que primeiro o funcionário é contratado para fazer serviços gerais e somente depois, quando consegue comprovar certo grau de confiança, é que se torna um boqueteiro de fato... Tentou argumentar ainda que tinha sido privilegiado por ter pulado algumas etapas do processo seletivo, pois afinal, assim que foi contratado foi direto para a boqueta. Contudo, nada adiantou...

Infelizmente, ele se deu conta de que sua mãe não tinha condições psicológicas e emocionais para compreender tudo aquilo. Rodney percebeu, então, que esse era um daqueles momentos irônicos da vida em que as pessoas sempre preferem acreditar no pior. Entretanto, não desanimou, pelo contrário, aprendeu “a duras penas” que o tal negócio de crise existencial era coisa para desocupados.

Por isso, hoje, religiosamente encerra seu expediente na boqueta e vai direto para a Praça da República onde cobra R$ 50,00 por hora.  Mas, claro, tudo muito honestamente!

Notas:
No ramo "Fast Food", os termos boqueta e boqueteiro significam:
Boqueta: Balcão
Boqueteiro: Pessoa responsável por conferir os pedidos que estão na boqueta.
Colaborou na finalização deste texto, David Almeida.
Se você gostou desta crônica envie e-mail para lucieny6@hotmail.com